💡Vivíamos na escuridão antes da internet?
Vivemos em uma era de mais clareza ou apenas de mais barulho? Muitos dizem que a internet nos jogou numa idade da desinformação, mas talvez ela tenha feito algo mais desconfortável: expôs quem sempre fomos. Antes, opiniões erradas, crenças contraditórias e visões distorcidas existiam em círculos fechados — hoje estão visíveis, disputando espaço em tempo real. Isso não significa que a razão morreu; significa que o debate deixou de ser filtrado por elites, jornais e instituições. Pela primeira vez na história, a discussão não é mediada por poucos — ela é aberta, caótica e permanente.
A ideia de que a verdade precisa ser protegida da mentira parte de uma visão frágil do ser humano, como se fôssemos incapazes de aprender errando. Mas nenhuma sociedade amadureceu sem confronto de ideias. Proibir, filtrar ou “proteger” pessoas de argumentos ruins é como impedir um adolescente de errar para “não se machucar”: ele apenas cresce frágil, sem anticorpos intelectuais. O Iluminismo nasceu da liberdade de questionar, não da imposição de verdades oficiais. E a internet, com todos os seus defeitos, é o maior espaço de confronto de ideias já criado.
O discurso moderno sobre “desinformação” frequentemente confunde erro com divergência. Muitas vezes, o que incomoda não é que algo seja falso, mas que não se encaixa na visão de mundo de quem fala. A realidade, porém, não precisa de censura para se impor. Políticas falham ou funcionam. Moedas colapsam ou resistem. Guerras geram refugiados ou não. Vacinas funcionam ou não. A mentira pode viralizar, mas é a realidade que dá o veredito final — e ela não pede permissão a algoritmos nem a jornalistas.
A verdade não precisa ser patrocinada para sobreviver; ela precisa de liberdade e de tempo. Num mundo de informação livre, erros podem circular — mas também podem ser contestados, testados e desmentidos. O preço da liberdade é o caos momentâneo; o preço do controle é o erro permanente. Entre os dois, a história mostra que apenas o primeiro permite correção. Como dizia Winston Churchill: “A mentira já deu a volta ao mundo antes mesmo da verdade ter tempo de vestir as calças.”

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