⁉️O que deu de tão errado na Republica de Weimar? O que o Brasil ainda precisa aprender.

A República de Weimar, criada na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, nasceu com um problema estrutural grave: tentou ser ao mesmo tempo uma democracia parlamentar e um regime presidencial forte. O presidente, eleito diretamente, tinha poderes amplos para nomear e demitir o chanceler, dissolver o parlamento e governar por decretos de emergência, enquanto o Reichstag era fragmentado por dezenas de partidos. Isso criava uma confusão permanente sobre como o país era governado e impedia o eleitor de ter poder em responsabilizar o governante enquanto o chanceler passava leis sem nenhum controle que centralizavam poder nele ao invés de serem convocadas novas eleições. Foi nesse ambiente que Adolf Hitler chegou ao cargo de chanceler de forma legal, não por maioria popular direta, mas por nomeação presidencial, e depois utilizou os próprios mecanismos constitucionais para desmontar a democracia por dentro.

Esse tipo de ambiguidade institucional não é apenas um detalhe técnico: ele altera profundamente o funcionamento da política. Quando não está claro quem manda e quem deve ser punido pelo voto, governos passam a sobreviver por acordos de bastidores, decretos e exceções, em vez de por apoio popular efetivo. Sistemas mais claros, como o parlamentarismo europeu ou o bipartidarismo norte-americano, têm inúmeros defeitos, mas oferecem algo essencial: o eleitor sabe quem governa e pode derrubá-lo quando erra. Em sistemas confusos e fragmentados, a insatisfação cresce, mas não encontra um canal eficaz de correção, abrindo espaço tanto para oportunistas autoritários quanto para a corrupção sistêmica.

O Brasil apresenta muitos desses mesmos sintomas. A multiplicação de partidos sem identidade ideológica forte, as coalizões permanentes e a troca constante de apoio por cargos e recursos fazem com que o Estado seja tratado como algo a ser repartido, não como um projeto nacional a ser conduzido. Aqui situação e oposição frequentemente votam juntas para ampliar o poder do cargo máximo da republica e o que eles hoje ocupam ou ocuparão amanhã, perpetuando um ciclo de promessas vazias e frustração popular. Esqueça perigos de virarmos uma ditadura, o nosso resultado não é uma ditadura clássica, mas um regime de baixa responsabilização, em que a democracia existe no papel enquanto a população permanece refém de um sistema que muda governos, mas raramente muda o rumo do país.

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