⁉️Estamos seguros ou ninguem sabe onde estão todos os submarinos capazes de lançar ogivas nucleares?
Durante a Guerra Fria, a maior ameaça nuclear vinha do oceano. Submarinos soviéticos vagavam pelo Atlântico e pelo Pacífico com mísseis nucleares capazes de atingir os Estados Unidos em minutos, muitas vezes sem serem detectados. Naquela época, a tecnologia de rastreamento era limitada, os oceanos eram grandes demais e o silêncio relativo desses navios os tornava armas de ataque surpresa quase perfeitas. Hoje, porém, esse cenário mudou profundamente, embora a imaginação popular ainda esteja presa aos filmes e livros dos anos 1980.
O avanço decisivo foi a criação de uma verdadeira “internet submarina” de sensores, satélites, aviões e outros submarinos. Quando um submarino nuclear russo ou chinês deixa sua base, ele não entra em um oceano vazio, mas em um ambiente já monitorado por hidrofones no fundo do mar, aviões P-8 Poseidon lançando boias sonar e submarinos americanos extremamente silenciosos esperando nas rotas de saída. Em vez de caçar às cegas, os Estados Unidos hoje acompanham padrões de ruído, rotas previsíveis e assinaturas acústicas únicas de cada classe de submarino. Isso transforma o oceano de um esconderijo em um espaço cada vez mais transparente.
Esse fator pesa especialmente contra a Rússia. Sua frota de submarinos estratégicos é pequena, envelhecida e afetada por problemas crônicos de manutenção e treinamento. A maioria de seus SSBNs raramente se afasta muito das próprias costas, porque no Atlântico aberto eles seriam rapidamente detectados e seguidos. A China, por sua vez, avançou mais rápido, mas seus submarinos nucleares ainda são relativamente barulhentos e seus mísseis exigem que se aproximem mais do território americano, o que aumenta drasticamente a chance de detecção. Paradoxalmente, os submarinos mais difíceis de caçar hoje são os convencionais diesel-elétricos — mas estes não carregam armas nucleares estratégicas.
O resultado é uma inversão silenciosa da lógica do medo nuclear. Os submarinos continuam sendo armas poderosas, mas deixaram de ser invisíveis. Em vez de dezenas de predadores soltos pelo oceano, como nos anos 1970 e 80, hoje há poucos, vigiados desde o porto até o patrulhamento. Isso não elimina o risco de uma guerra nuclear — porque a dissuasão e a política ainda são fatores humanos e imprevisíveis —, mas reduz drasticamente a probabilidade de uma catástrofe acidental ou de um ataque surpresa vindo do fundo do mar. Em termos estratégicos, o mundo de hoje, por mais instável que pareça, é muito menos vulnerável a um “apagão nuclear” do que foi no auge da Guerra Fria.


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